Cheias, quedas de árvores, derrocada de uma casa que estava a ser utilizada como restaurante na vila medieval de Monsaraz e as fissuras existentes no Paço dos Henriques, na vila de Alcáçovas, foram as principais consequências da forte precipitação que ocorreu durante as últimas semanas.
Foi esta a informação avançada pela governadora civil de Évora, Fernanda Ramos, no final da reunião mensal da Comissão Distrital de Protecção Civil, realizada durante toda a tarde de quarta-feira passada. Deste modo, a governante explicou que foi solicitado a todos os municípios que constituem o distrito de Évora para informarem esta comissão de quais foram os prejuízos das chuvas intensas que ocorreram em cada um dos concelhos.
Embora tenha afirmado não ter ainda uma informação exacta, recordou os dois casos conhecidos e que foram difundidos já na comunicação social e que dizem respeito ao concelho de Reguengos de Monsaraz, "onde aconteceu uma derrocada de uma casa que estava a ser utilizada como restaurante, ainda antes do Natal, mas também da situação que ocorreu na própria muralha de Monsaraz com a degradação de um troço do muramento que tem uma barriga muito grande e que a qualquer momento pode ruir", mas também de Viana do Alentejo. Neste caso, Fernanda Ramos avançou que a Comissão de Protecção Civil foi informada de que na freguesia das Alcáçovas, mais precisamente no Paço dos Henriques, existem algumas fissuras. "A Câmara interpreta essa situação como resultante do recente tremor de terra, agora agravado pela chuva", salientou, acrescentando serem situações que foram já verificadas pela Protecção Civil, "restando agora esperar que as Câmaras Municipais nos enviem os seus relatórios técnicos".
A governadora civil frisou ainda que a Direcção Regional da Cultura também já foi avisada sobre os locais, "tendo os seus técnicos a elaborar os seus relatórios respectivos para depois serem encaminhados para os Ministérios da Administração Interna, no que concerne à Protecção Civil, e para o Ministério da Cultura porque se tratam de imóveis classificados como é o Paço dos Henriques e todo o aglomerado de Monsaraz". Para esta mesma responsável, a situação de Monsaraz é complexa, fundamentalmente porque toda a construção é feita em taipal, "podendo ter um efeito dominó, parecendo haver necessidade de fazer um escoramento de habitações contíguas à que ruiu, devendo esta acabar por ter de ser demolida".
Instada sobre qual o valor destas intervenções, Fernanda Ramos disse não ter ideia ainda, até porque os relatórios estão a ser efectuados. Não obstante, explicou que estas obras não têm garantias de que sejam financiadas pelos ministérios referidos, embora tenha recordado que o Governo já apoiou o distrito de Lisboa, de Santarém e de Leiria devido às inundações que ocorreram. "Há, no entanto, a criação de algumas linhas de crédito, portanto, tudo pode acontecer em função da situação concreta e objectiva que for colocada", frisou.