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Chuva forte e práticas ambientais menos correctas, que possam ter havido no passado, levaram a esta situação

Presidente da Administração da Região Hidrográfica do Alentejo explicou problema da água com questões ambientais

"Chuva forte e práticas ambientais menos correctas, que possam ter havido no passado, levaram a esta situação"

08/01/2010- Diário do Sul- Maria Antónia Zacarias

Após reunião com a Comissão Distrital de Protecção Civil realizada ontem, no Governo Civil de Évora, a presidente da Administração da Região Hidrográfica do Alentejo, Paula Sarmento deu a conhecer a sua explicação para a situação que levou ao corte de abastecimento de água à população de Évora.

Em seu entender, o que aconteceu foi um fenómeno de precipitação com urna intensidade muito grande que já vinha ocorrendo há algum tempo e que se traduziu em escoamentos fortes para a Barragem do Monte Novo, tendo-a levado a quase que duplicar o seu volume em dois dias.

A mesma responsável afirmou também que "esses fenómenos levam a um grande arrastamento de todo o tipo de partículas que estavam na envolvente, tendo efeitos nos valores de qualidade da água da albufeira e numa necessária acção de ajuste do processo de tratamento". 'As Aguas do Centro Alentejo, assim que detectaram a situação, cortaram de imediato o abastecimento e promoveram a adequação do sistema de tratamento e hoje já se está a produzir água com valores muito abaixo dos limites, com qualidade", afiançou.

Paula Sarmento explicou ainda que o elemento químico do alumínio "tem a ver com práticas ambientais menos correctas que possam ter havido no passado e que tenham levado à deposição de algumas lamas junto à Estação de Tratamento de Água, em situações que podem não ter sido completamente recuperadas".

Não obstante, a mesma responsável anunciou que, mesmo antes desta situação ter ocorrido, "era já intenção de todos nós promover a limpeza da albufeira e fazer algumas acções de promoção da qualidade da água do Monte Novo". "Sabemos exactamente as características do material que existe, os sítios onde estão depositados, as quantidades, os destinos que lhe são dados e como tal temos informação de tudo", garantiu, acrescentando que em Dezembro do ano passado, já existia um plano de intervenção plenamente identificado, "que poderá não corresponder a um esvaziamento da barragem, apesar de ser importante que tenhamos alguma abaixamento da quota. E um tipo de operação que exige que aproveitemos os períodos e as horas de sol, temperaturas mais elevadas para facilitar e tornar mais económico todo o processo", explicitou.

No que concerne a hipotéticas situações de enchimento máximo de outras barragens existentes no Alentejo, Paula Sarmento referiu haver sempre questões pontuais de albufeiras mais antigas "que muitas vezes não estão licenciadas e que podem ter algumas anomalias, devendo por isso sofrer obras de reabilitação que sejam necessárias".

Neste sentido, a governadora civil de Évora, Fernanda Ramos anunciou que a Comissão de Protecção Civil em conjunto com a Administração da Região Hidrológica do Alentejo, a Direcção Regional de Agricultura c as autarquias "vão fazer um levantamento das barragens agrícolas porque como sabem não estão monitorizadas, são de propriedade privada e pode haver alguma ruptura". A mesma governante avançou ainda que a única situação em que foi solicitada o apoio da Protecção Civil foi na Barragem do Barrocal, no concelho de Reguengos de Monsaraz, "uma vez que esta está com alguns problemas em termos estruturais, visto que estas albufeiras agrícolas são feitas fundamentalmente de terra compactada c o que acontece é que numa das partes dessa barragem só existe cerca de 70 cm de terra, o que significa que o acumular de água pode provocar um rebentamento".

Fernanda Ramos salientou, entretanto, que esta barragem já foi vistoriada e que, neste momento, "há a garantia de que se acontecesse um desastre, já sabemos que não haveria problema porque a zona circundante tem capacidade de absorção da água que existe na barragem, portanto, não 11.fterá problemas de cortes de estrada, nem com populações que estejam perto". "Estamos a fazer tudo isto exclusivamente por prevenção", vincou.

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