A concretização de um projecto há muito ambicionado foi, ontem, iniciada com a assinatura de transferência de utilização do Palácio Rojão, pelo director-geral do Tesouro e Finanças, Pedro Rodrigues Felício, à Câmara Municipal, na pessoa do presidente da autarquia, José Calixto.
O objectivo é transformar o antigo Palácio dos Condes de Monsaraz, construído em meados do século XIX e localizado no centro da cidade, em biblioteca municipal. O prazo de cedência é de 15 anos, renováveis por acordo entre o Estado e o Município, sendo que o projecto prevê um investimento de 1,3 milhões de euros na execução das obras. O passo seguinte é potenciar ainda mais a leitura no concelho com vista a que assim haja um aumento da literacia em Reguengos de Monsaraz.
O presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, José Calixto salientou que esta cerimónia e o que ela significa tem, naturalmente, uma grande importância para todos os reguenguenses. "Era uma aspiração de todos e nós comprometemo-nos a realizar esta ambição. Foi um risco que decidimos correr, mas sem riscos não se consegue grande coisa e, de facto, a Direcção Geral do Tesouro e Finanças teve uma postura que nos surpreendeu", confessou, salientando a coerência e celeridade com que todo este processo de cedência do imóvel ocorreu.
O edil mostrou-se, assim, bastante satisfeito, sublinhando a possibilidade de acesso que toda a população pode, a partir do momento da sua abertura, ao espólio existente e que, neste momento, está guardado nas condições possíveis. "Reguengos tem hábitos de leitura muito fortes porque só assim se justifica que um pequeno espaço de 30 metros quadrados, que actualmente designamos de biblioteca municipal, seja constantemente visitado por muitas pessoas que vão ler os jornais e os seus livros", justificou, acrescentando que o novo espaço "vai, de certeza, potenciar esse gosto pela leitura e levar novos leitores que não conseguiam entrar no espaço de que dispomos".
José Calixto garantiu que a autarquia vai transformar um edifício em estado de degradação num imóvel moderno que satisfaça toda a população e no qual possa ser colocado o espólio municipal ao serviço das pessoas.
Esta ideia foi reiterada pelo director-geral do Tesouro e Finanças, Pedro Rodrigues Felício que sustentou a importante função da criação de uma biblioteca municipal "que tem um projecto muito interessante e de que muito gostei, pois parece-me estar bastante funcional e espero poder, um dia, visitar a biblioteca e consultar o seu espólio".
Para este governante, este é o resultado de um trabalho que foi começado em 2006 e que levou, no ano seguinte, a uma série de nova legislação de gestão e rentabilização do património do Estado. "De há três anos para cá que se iniciou um profundo caminho de reconversão e inventariação do património imobiliário do Estado. Hoje em dia, face aos dados disponíveis, temos conhecimento de cerca de 80 por cento do património imóvel do estado, que se reflecte na ordem dos dez mil edifícios espalhados pelo país", frisou. Em seu entender, o passo seguinte teria que ser a rentabilizar e ocupação desses imóveis, cedendo-o a quem tivesse projectos para ele, "como é o caso de Reguengos, com um edifício destinado a bibliotecas, mas igualmente outros, espalhados por Portugal, que podem servir para centros culturais, entre outras valências".
A Governadora Civil do Distrito de Évora, Fernanda Ramos, também presente na cerimónia, fez questão de evidenciar a necessidade de fazer deste edifício um espaço intergeracional, "de troca de experiências, de aprendizagem de conhecimentos que devem ser colocados à disposição de todos nós".
Findada esta sessão de assinatura do protocolo para a criação da nova biblioteca municipal seguiu-se a inauguração da 18.ª edição da EXPOREG, onde estiveram presentes vários membros do Governo, nomeadamente o ministro da Agricultura, António Serrano, personalidades da sociedade civil e militar e representantes do poder local.