O voluntariado foi a temática abordada na passada terça-feira, no Fórum Eugénio de Almeida, em Évora, no âmbito do Programa Nacional do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social (AECPES). A acção intitulada “Ninguém pode ficar indiferente” visou reflectir, trocar experiências e pensar sobre os flagelos sociais que têm de ter uma resposta por parte da sociedade.
A Fundação Eugénio de Almeida (FEA) tem desempenhado um papel de particular relevância na área do voluntariado, em especial no concelho de Évora. Durante o encontro "Ninguém pode ficar indiferente", Henrique Sim-Sim, em representação da FEA, abordou os dez anos de trabalho que a Fundação tem desenvolvido nesta matéria.
Áreas tão diversas, como a social, a cultural ou a ambiental, estão contempladas no projecto de voluntariado existente desde 2001. Além do seu banco de voluntariado, onde é feita a mediação entre voluntários e instituições, a FEA também tem os seus próprios projectos de voluntariado.
De acordo com Henrique Sim-Sim, "temos trabalhado na investigação, para conhecer a realidade onde actuamos, mas também na promoção da cultura de voluntariado na cidade e no concelho".
O representante da Fundação apresentou ainda "os projectos de actuação no terreno", quer nas áreas já referidas, quer na área da proximidade". Esse projecto prende-se com "trabalhar junto de pessoas que realmente precisam, de cada caso isolado e não de grandes números, transformando positivamente a vida dessas pessoas", explicou.
Henrique Sim-Sim garantiu ainda que "a qualificação é outras das áreas na qual temos apostado muito, sendo a formação dirigida, quer a voluntários, quer a técnicos das instituições".
Este mesmo responsável afiançou que "o nosso projecto visa combater a exclusão no concelho, nomeadamente dos idosos. Temos vários idosos que são acompanhados em casa, onde estão isolados o dia inteiro". Outra vertente desse voluntariado de proximidade é aquele que é feito "junto de crianças que vivem em famílias monoparentais, cujos pais se divorciaram por exemplo, ajudando a conciliar a vida pessoal e profissional", disse Henrique Sim-Sim.
Em termos de números, no início do ano a FEA tinha 450 voluntários inscritos. O representante da Fundação afirmou que "todos os meses temos uma média de 20 ou 30 pessoas que se inscrevem".
Câmara de Évora dinamiza projecto "V Jovem"
Durante o encontro foram apresentados dois projectos de voluntariados que estão a ser desenvolvidos em autarquias alentejanas, nomeadamente a de Évora e a de Reguengos de Monsaraz. A moderação desta segunda mesa esteve a cargo de Paulo Piçarra, editor-executivo do Diário do Sul.
Em representação da Câmara Municipal de Évora (CME) esteve Maria Luísa Policarpo, técnica superior na área da Juventude, que apresentou o projecto "V Jovem". Segundo explicou, este é "um programa de voluntariado que consiste na criação de uma base de dados de jovens que estejam interessados em ser voluntários".
Entre os requisitos necessários para participar, destacam-se ter entre 18 e 30 anos, ser estudante e residir no concelho de Évora. Os jovens que participam nos projectos têm direito a uma bolsa de ressarcimento para despesas, devendo as inscrições ser feitas no Gabinete da Juventude da CME.
Maria Luísa Policarpo salientou que "neste momento, temos 370 jovens inscritos, maioritariamente raparigas", destacando que "estes voluntários têm participado essencialmente em projectos da Câmara".
A esse respeito, acrescentou que "consoante as iniciativas que têm, os serviços solicitam um determinado número de jovens, descrevem as actividades e o horário, sendo feito um pequeno programa que é enviado para a base de dados. Nesta fase os jovens já podem inscrever-se nos projectos on-line", garantiu.
De acordo com a técnica superior da CME, "em 2010, já fizemos 16 projectos, em áreas como terceira idade, ambiente, infância, desporto ou tecnologias". Exemplos disso são a Feira de S. João, o programa "Okupate" nas piscinas ou a realização de questionários.
A mesma responsável admitiu que "na base deste projecto está o facto de acreditarmos que o voluntariado é uma faceta importante do desenvolvimento dos jovens". Como tal, "o projecto foi criado mais a pensar na capacitação dos jovens, do que propriamente em quem é alvo das acções", conclui Maria Luísa Policarpo.
A sessão de abertura foi presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto Oliveira e contou com a presença do coordenador nacional do AECPES, Edmundo Martinho, e da Governadora Civil de Évora, Fernanda Ramos.
Para o autarca, o tema do voluntariado é muito importante, “no qual a cidade de Évora se tem empenhado”. Em seu entender, todos podemos e devemos ajudar das formas mais variadas, “dispondo de alguma coisa de nós próprios para servir a comunidade em geral e enriqueceremos a sociedade em que estamos inseridos”.
Esta ideia foi reiterada pela governadora civil que recordou que o voluntariado é relevante em todas as épocas do ano, e sobretudo no Verão, “quando grande parte dos estabelecimentos de ensino estão encerrados e os pais não têm onde deixar os filhos, porque os mais idosos também precisam de estar acompanhados quando os seus cuidadores têm as suas merecidas férias”.
No mesmo encontro sobre o voluntariado esteve igualmente presente o director do Centro Distrital da Segurança Social de Évora, José Oliveira, que se mostrou bastante satisfeito com o facto deste assunto ter sido abordado no distrito de Évora, considerando o voluntariado de uma extrema importância, “uma vez que trabalhamos com info-excluídos e com pessoas com dificuldades sociais”. Para este dirigente, fazer voluntariado deve ser uma acção feita de forma descomprometida e com disponibilidade para prestar este apoio. “Devemos fazer com que o voluntariado esteja envolvido na sociedade, em cada um de nós, de modo coerente para que se possa apoiar aqueles que mais necessitam”, frisou.
É por isso que Elza Chambel, presidente do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, diz fazer sentido pautar a vivência. “O voluntariado é um percurso pessoal, comprometido com a promoção da cidadania activa. É uma forma de estar na vida que só a assume quem quer”, afirmou, acrescentando que deve ser sentido com a alma e o coração e com a inteligência “porque deve ser inteligentemente feito”.
Dedicando toda a sua vida ao voluntariado, esta dirigente recordou que não é preciso ser-se rico para ser voluntário, basta querer-se.
Contudo, salientou que o voluntariado tem regras, não se podendo defraudar expectativas, “pois quer chova ou faça sol há sempre alguém à nossa espera, uma criança a quem se ler um livro ou para levar à escola ou fazer companhia a um idoso”. Elza Chambel sustentou ainda que todos os voluntários “acabam sempre por receber muito mais do que dão e é essa a essência do voluntariado”.