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GCDE na Comunicação Social
Entrevista a Fernanda Ramos, Governadora Civil de Évora

Entrevista a Fernanda Ramos, Governadora Civil de Évora

22/02/2010- Registo

Fernanda Ramos, Governadora Civil para o Distrito de Évora, diz não "ficar indiferente" à vaga de desemprego que a região atravessa. A EMBRAER poderá resultar num forte aliado na luta face a este problema. As novas apostas do Governo Civil e do actual governo para a região.

P: O desemprego na região. Onde poderá Évora ir buscar valores para combater este problema?

É necessário destacar a importância estratégica no combate ao desemprego da localização em Évora da fábrica de aviões da EMBRABR, pelo crescimento económico e emprego qualificado que irá potencial, directa e indirectamente - e que começa já a perceber-se ao nível da formação. Mas também o sector dos empreendimentos turísticos, designadamente em torno do Grande Lago Alqueva, se constituem enquanto factor privilegiado para a criação de emprego.

 

“A qualificação de recursos humanos para a EMBRAER e outras empresas do sector, já arrancou”

 

O programa do Governo assenta numa base de confiança entre Estado, empresários e trabalhadores. Com as medidas políticas promovidas e com regras claras e objectivas que as balizem, julgo que será possível relançar o investimento, modernizar as estruturas produtivas e criar condições para lançar iniciativas empresariais inovadoras. Até o acesso às linhas de crédito está hoje mais simplificado, sendo que todas as empresas podem aceder às mesmas.

 

P: Despedimento colectivo da Tyco. Évora está a perder na luta face ao desemprego?

Esse cenário já está um pouco ultrapassado e de resto ainda muito recentemente, a Tyco colocou anúncios na imprensa regional justamente para recrutar trabalhadores.

Em qualquer dos casos, não podemos ignorar que o nosso Distrito tem debilidades e constrangimentos estruturais, será preciso reconhecê-los para podermos enfrentá-los e encontrar soluções para eles.

Como lhe disse, o Governo está empenhado na construção dessas soluções, sendo que as medidas de curto prazo estabelecidas permitem actuar de forma rápida e eficaz junto dos trabalhadores e das empresas. Como exemplos, relembrar-lhe-ei apenas o prolongamento do subsídio social de desemprego, a redução do prazo de garantia para o acesso ao mesmo ou a agilização do processo para acesso ao subsídio social, mas todas as medidas contidas na Iniciativa Emprego 2010 poderiam ser aqui citadas.

Se retirarmos o enfoque do desemprego e o colocarmos na criação e manutenção de postos de trabalho, são incontornáveis as medidas que visam apoiar a contratação de trabalhadores com mais de 45 anos - reduzindo as contribuições das empresas contratantes para a Segurança Social - ou a contratação sem termo de desempregados inscritos nos Centros de Emprego há mais de seis meses - com um apoio directo de 2.500,00€.

 

P: O parque industrial de Vendas Novas tem tido problemas a nível de despedimentos...

O Governo Civil tem procurado acompanhar de perto a situação que ocorre nas empresas do sector automóvel, bem como o pulsar do próprio tecido empresarial do Distrito, razão pela qual criou uma "task-force" de monitorização que reúne sempre que tal se revela necessário.

No que em concreto se refere a Vendas Novas, acreditamos que a boa situação geoestratégica deste parque industrial contribuirá de forma definitiva para inverter a situação actual.

 

“O investimento privado é fundamental para a dinamização económica e social, precisamos de um maior número de candidaturas por parte dos empresários aos programas comunitários”

 

Não me conformo com as consequências sociais deste cenário de procedimentos, quero acreditar que apelando à responsabilidade social das empresas sediadas em Vendas Novas se encontrarão soluções a contento das partes envolvidas. Procurarei também diligenciar no sentido de minimizar os efeitos sociais que este processo possa acarretar para a população e ajudar na procura de alternativas que mantenham ou recriem postos de trabalho, através contactos com as administrações das empresas, com as tutelas e com os serviços desconcentrados da Administração Pública.

 

P: Como atrair mais investimentos para o Distrito?

Já lhe falei na fábrica de aviões da EMBRAER, da linha de Alta Velocidade e dos empreendimentos turísticos de Alqueva. Acrescentaria a concessão da auto-estrada do Baixo Alentejo que vai permitir ligar Sines a Beja estando no fundo todos estes investimentos públicos direccionados para uma frente comum: a criação de riqueza, de emprego, de mais e melhores acessibilidades; uma tríade que permita na realidade a sustentabilidade dos nossos recursos a médio e a longo prazo.

 

“O Governo Civil tem procurado acompanhar de perto a situação que ocorre nas empresas do sector automóvel, bem como o pulsar do próprio tecido empresarial do Distrito”

 

Por outro lado, porque também o investimento privado é fundamental para a dinamização económica e social, lanço daqui um repto para um maior número de candidaturas por parte dos empresários aos programas comunitários, bem como aos incentivos de apoio à agricultura, ao comércio e à indústria.

A crise não pode servir de pretexto à inacção, pelo contrário. A nossa responsabilidade social está assente no dever de enfrentar com ainda maior lucidez e determinação os tempos difíceis que são os nossos.

 

P: Em que ponto se encontra o Cluster aeronáutico de Évora?

O investimento aqui do terceiro maior fabricante mundial de aeronaves é um marco na indústria aeronáutica nacional, representando um salto tecnológico para o Distrito e para o País. Acredito que o projecto da EMBRAER em Évora servirá de «âncora» a um dos sectores considerados estratégicos para a economia nacional, reconhecido pelo seu elevado potencial ao nível do desenvolvimento de novas tecnologias e pelo seu efeito disseminado' de conhecimento e práticas de excelência empresarial.

O investimento, que ascende a um montante total de 117 milhões de euros, envolve a criação de 1.500 postos de trabalho directos e indirectos e permitirá o alcance em 2017 de um volume de vendas e prestação de serviços de cerca de 255 milhões de euros.

Em 22 de Janeiro passado, foi já publicado em Diário da República o anúncio do concurso público para ampliação do Centro de Formação Profissional de Évora em 2.340M2 espaço que acolherá justamente a formação da área aeronáutica.

A primeira acção de formação deste "pacote", que visa a qualificação de recursos humanos para a EMBRAER e outras empresas do sector, já arrancou – estando para já por razões operacionais e logísticas a decorrer no Centro de Formação de Setúbal, ainda que com formandos da área geográfica da Delegação Regional de Évora do Instituto do Emprego e Formação Profissional.

 

P: Regionalização. Poderá estar mais perto do que se pensa?

Depende do que se pensa. A regionalização está constitucionalmente dependente de um referendo – e este é de resto um assunto em relação ao qual será desejável que se estabeleça o máximo consenso possível na sociedade civil. O que lhe posso dizer, é que a regionalização administrativa, aquela que no terreno nos permite trabalhar e conceber estratégias numa lógica de NUT II, foi já em grande parte efectivada pelo XVII Governo Constitucional, abrindo caminho para uma racionalização de recursos que mais do que necessária era indispensável.

 

“Talvez já esteja na altura de avançarmos com o processo de regionalização. Temos a “vizinha Espanha” aqui ao lado, de onde podemos tirar conclusões.”

 

Quanto a mim, pessoalmente, há mais de 30 anos que defendo a regionalização, naturalmente com um modelo bem pensado e implementado de responsabilização e descentralização efectiva de competências.

Talvez já esteja na altura de avançarmos com o processo. Temos a "vizinha Espanha" aqui ao lado, de onde podemos tirar boas conclusões.

 

P: Que balanço pode fazer do distrito neste início de 2010?

Em matéria de desenvolvimento económico, que será talvez o assunto mais na ordem do dia, há que reconhecer a grande aposta do Governo no desenvolvimento do Alentejo, nomeadamente através do reforço de investimento público em toda a região.

A adjudicação da concessão do troço Poceirão/Caia da linha de Alta Velocidade, a obra realizada pela EDIA no quadro do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva - que no Distrito de Évora viu concluídas, e nos tempos previstos, todas as empreitadas projectadas - ou ainda a implementação das Redes de Nova Geração para o interior do País, esta última assinalada há bem pouco tempo pelo próprio Primeiro-Ministro em Vila Viçosa, são exemplos concretos disso mesmo.

Está de igual modo em curso o programa de modernização do Parque Escolar, fundamental não só para o presente como para o futuro. Só no nosso Distrito, o Programa Nacional de Recuperação, Requalificação, Reequipamento e Reorganização de Escolas do Ensino Básico e Secundário já representou um investimento de cerca de 18 milhões de euros.

Por outro lado, neste início de ano é necessário não esquecer também as medidas de política social de apoio aos desempregados e famílias carenciadas, bem como a sua adequação à excepcionalidade que este problema assume em todo o Distrito de Évora, resultado de um envelhecimento populacional superior à média nacional.