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GCDE na Comunicação Social
É seguro atravessar nas passadeiras

É seguro atravessar nas passadeiras

16/08/2010- Diário do Sul- Marina Pardal

É seguro atravessar nas passadeiras? Esta é uma questão com a qual muitas pessoas se interrogam no momento de fazer a sua travessia. A localização das chamadas "zebras" é apontada, por peões e condutores, como um dos motivos para que, por vezes, ocorram acidentes nestes locais.

A cidade de Évora não é excepção nesta matéria, tendo-se já registado atropelamentos graves, alguns onde a última consequência foi inclusive a morte.

Em relação a dados concretos, e de acordo com o Núcleo de Operações do Comando Distrital de Évora da PSP, entre Janeiro e Julho deste ano ocorreram em Évora dois atropelamentos em passadeiras, dos quais resultaram dois feridos leves.

Como seria expectável, o número de atropelamentos aumenta fora das passadeiras, tendo-se registado, durante o mesmo período, nove acidentes deste tipo. Desses atropelamentos resultaram oito feridos leves e um ferido grave.

Quanto às passadeiras onde aconteceram os atropelamentos, a chefe do Núcleo de Operações do Comando Distrital de Évora da PSP, comissária Cada Costa, salienta que foi "na passadeira à saída da rotunda da Porta da lagoa em direcção à rotunda da Porta de Aviz e na passadeira à saída da rotunda da Porta de Aviz em direcção à rotunda da Porta da Lagoa".

A área de acção da PSP de Évora abrange também a cidade de Estremoz, onde no período em análise não ocorreram atropelamentos em passadeiras. Fora destas, houve dois atropelamentos, dos quais resultaram dois feridos leves e um ferido grave (num dos acidentes houve dois feridos, o peão, em estado grave, e o condutor, com ferimentos ligeiros).

Entre as causas prováveis para os atropelamentos, a Comissária Carla Costa aponta "o excesso de velocidade, a distracção do condutor e a travessia repentina de peões".

A chefe do Núcleo de Operações da PSP de Évora recorda ainda que "no primeiro semestre de 2010, no âmbito da prevenção e segurança rodoviária, foram realizadas neste Comando Distrital de Polícia 46 acções de sensibilização".

Durante o período temporal em análise, não aconteceram situações muito graves nas passadeiras, mas a pergunta sobre a sua segurança mantém-se. O Diário do Sul conversou com a Governadora Civil do Distrito de Évora, Fernanda Ramos, que acrescentou alguns dados referentes ao ano passado.

Na área de actuação do Comando Distrital de Évora da PSP, "entre Janeiro e Julho de 2009, ocorreram 16 atropelamentos no total. Nas passadeiras, tivemos um morto, um ferido grave e um ferido leve; fora das passadeiras, um morto, dois feridos graves e dez feridos leves", relata Fernanda Ramos.

Registou-se assim um ligeiro decréscimo no número de atropelamentos (de 16 para 13), bem como no número de feridos graves (de três para dois) e de mortos (de dois para zero).

A realização de campanhas de sensibilização pode ter dado um contributo para esta diminuição, admite a Governadora Civil, embora "não o possa afirmar categoricamente". Acrescenta ainda que "a nós parece-nos, tendo em conta os dados, que efectivamente as campanhas contribuem e achamos que as pessoas estão muito mais sensibilizadas, quer os peões para os cuidados que devem ter, quer os próprios automobilistas".

Fernanda Ramos apontou como possíveis causas para haver atropelamentos em passadeiras, "os problemas de visibilidade, pois nem sempre as nossas estradas estão iluminadas correctamente, e situações de peões que atravessam sem olhar para a esquerda e para a direita". De qualquer forma, "não se pode dizer que a responsabilidade seja exclusivamente de uma das partes, depende caso a caso", garante.

No âmbito da Comissão Distrital de Segurança Rodoviária, o Governo Civil do Distrito de Évora está a desenvolver um trabalho, com a participação das câmaras municipais e das forças de segurança, para "reflectirmos em conjunto sobre a localização das passadeiras", explica a governante.

Adianta ainda que "em alguns casos as passadeiras já estavam marcadas, fizeram-se rotundas e eventualmente não houve uma avaliação profunda da situação". Fernanda Ramos exemplifica também que "se as passadeiras estão muito afastadas os peões queixam-se de estarem longe; se há muitas passadeiras, os automobilistas dizem que o trânsito começa a ser mais condicionado".

Não obstante todas estas questões, na opinião da Governadora Civil é "mais seguro atravessar na passadeira" do que fora dela, reforçando que é "exclusivamente na passadeira que o peão deve atravessar". No entanto, Fernanda Ramos lembra que, "apesar do peão ter prioridade, isso não impede que ele tenha de ter também algumas preocupações, como olhar sempre para a esquerda e para a direita para tentar perceber se pode atravessar em segurança".